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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Resenha: O Indizível - Neilza Buarque

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Editora: Solisluna
Edição: 1 

Ano: 2015 
Páginas: 93



O Indizível é um convite para que o leitor deleite-se nos ‘Poemas com a coragem de desnudar o que há de mais camuflado em cada um, o desejo. Palavras temperadas de uma corajosa vulnerabilidade que nos convidam, ou talvez insinuem um convite transgressor à verdade da fome de cada um de nós. Neilza convida o leitor a sentir-se em casa (no quarto, na cama), a desatar os nós, tirar os sapatos, desnudar-se e sentir a umidade e o paladar do desejo’.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Resenha: Pelos Velhos Vales que Vago - Fabio Pires

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Autor: Fabio Pires 

Editora: Chiado 
Edição: 1

Ano: 2014
Páginas: 104

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Sinopse: Parafraseando Veríssimo, sou uma espécie de gigolô das palavras. As utilizo, sugo todas suas possibilidades, me aposso de todos seus sentidos e sentimentos, mas não tenho toda a intimidade gramatical que todos têm ou fingem ter. 

Sim, porque o poeta/escritor não finge somente a dor. Finge muito mais que isso.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Urdume / Urdidrumbe de Rubem Leite

5 comentários:
“– Olha a lua minguante. – Mas não é lua minguante. – É claro que é lua minguante. Com essa política de lua e esse povo à míngua... é claro que é lua minguante”.  

Urdume não é um livro de queixumes e sim, uma obra de exorcismo. Nele se encontram lamentos de amor, raiva e dor exacerbada. Divididos em capítulos que agregam a alma humana em sua mais complexa forma, não somente de sentimentos apurados, mas também em sua posição significativa no mundo, esta obra leva o leitor a pensamentos intensos em poucas linhas.

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Edição bilíngue (português e espanhol): Amazon


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eu não sou homem - Harold Norse

3 comentários:
EU NÃO SOU UM HOMEM

(Harold Norse, EUA, 1916-2009)

Eu não sou um homem, não consigo ganhar a vida, comprar coisas novas pra minha família.
Eu tenho espinhas e um pau pequeno.

Eu não sou um homem. Eu não gosto de futebol, boxe e carros.
Eu gosto de expressar meus sentimentos. Eu até gosto de colocar meu braço
sobre os ombros de meus amigos.

Eu não sou um homem. Eu não vou jogar o papel que me foi atribuído – o papel criado
pela Madison Avenue, pela Revista Playboy, Hollywood e por Oliver Cromwell.
Televisão não dita meu comportamento.

Eu não sou um homem. Uma vez quando atirei num esquilo eu jurei
que nunca mais mataria de novo. Desisti da carne. Ver sangue me deixa doente.
Eu gosto de flores.

Eu não sou um homem. Fui preso por resistir ao recrutamento. Eu não brigo
quando homens de verdade me batem e me chamam de bicha. Eu não gosto de violência.

Eu não sou um homem. Eu nunca estuprei uma mulher. Eu não odeio os negros.
Eu não fico emotivo quando agitam a bandeira. Eu não acho que deveria
amar a América ou deixá-la. Eu acho que eu deveria rir dela.

Eu não sou um homem. Eu nunca tive gonorréia.

Eu não sou um homem. Playboy não é minha revista favorita.

Eu não sou um homem. Eu choro quando estou triste.

Eu não sou um homem. Eu não me sinto superior às mulheres.

Eu não sou um homem. Eu não uso suspensórios.

Eu não sou um homem. Eu escrevo poesia.

Eu não sou um homem. Eu medito sobre paz e amor.

Eu não sou um homem. Eu não quero te destruir.

São Francisco, 1972

(tradução de Jeff Vasques)
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