quarta-feira, 7 de maio de 2014

Razão e Sensibilidade - Jane Austen (Livro e Filme)

Resenha Razão e Sensibilidade Livro versus Filme

Título original: Sense and Sensibility
Autor: Jane Austen

Editora: Martin Claret
Edição: 3 

Ano: 2012 
Páginas: 296

Tradução: Roberto Leal Ferreira
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Sinopse: Em virtude da morte do marido, uma viúva e as três filhas passam a enfrentar dificuldades financeiras, pois praticamente toda a herança foi para um filho do primeiro casamento, que ignora a promessa feita no leito de morte de seu pai que ampararia as meias-irmãs. Neste contexto, enquanto uma irmã é prática, usando a razão como principal forma de conduzir as situações, a outra se mostra emotiva, sem se reprimir nunca com uma sensibilidade flor da pele.

Primeiro livro de Austen a ser publicado, em 1811, escrito sob o pseudônimo "A Lady".

Nota: Esse artigo serve tanto para os que querem saber sobre o livro como o filme; caso esteja interessado em apenas um deles, avance para o tópico de interesse. Não haverá perdas na interpretação. 

ENREDO

Quando o Sr. Dashwood morre, sua propriedade - Norland Park – passa diretamente para John, seu único filho homem, do primeiro casamento. Sua segunda esposa, a Srª. Dashwood, e as três filhas, Elinor, Marianne e Margaret, são deixadas apenas com uma pequena herança.

Em seu leito de morte, John prometera ao pai prover as irmãos no que precisasse, porém sua esposa Fanny persuade-o a quebrar sua promessa e a não sustentar mais suas cunhadas. Eles decidem se mudar para Norland imediatamente após a morte do pai, tomando conta da propriedade.

O irmão de Fanny, Edward Ferrars, um amável, modesto, inteligente, mas reservado jovem, vem a Norland para uma visita; ele e Elinor ficam atraídos um pelo outro, e Srª Dashwood tem esperança de que os dois venham a casar. Fanny em contramão insiste em deixar claro, que sua mãe, Srª Ferrars, uma ponderosa viúva, quer o filho casado com uma mulher de alta classe. 

Elinor desencoraja a esperança de sua família no casamento, apesar de, em seu coração, ter secretamente a esperança de realizá-lo. Um dos primos de Srª Dashwood, o poderoso Sir John Middleton, oferece a elas um pequeno chalé em sua propriedade de Devonshire, Barton Park, a qual decide aceitar.

Elas são bem recebidas por Sir John, que insiste em lhes oferecer jantares e convivência social com a família, frequentemente, em sua grande casa em Barton Park. Ao lado de Sir John, estão sua insípida esposa e sua sogra, Mrs. Jennings, que com seu bom-humor e espírito brincalhão imediatamente decide encontrar maridos para as senhoritas Dashwood.

O romance relata a mudança das irmãs Dashwood para a nova casa e os relacionamentos que se desenvolvem a partir de então. O contraste entre as elas, mostrando Elinor mais racional e Mariane mais emotiva e passional, é resolvido quando cada uma, à sua maneira, encontra a felicidade.

Elinor, vivida por Emma Thompson
Marianne, vivida por Kate Winslet

















“– Frequentemente, vejo-me cometendo esse tipo de erro – disse Elinor – com ideias totalmente falsas sobre o caráter de alguém em um ou outro aspecto; imaginando as pessoas muito mais alegres ou tristes, ou inteligentes ou estúpidas do que realmente são. E dificilmente posso dizer o porquê ou baseado em que esse erro tem origem. Às vezes, nos deixamos guiar por aquilo que as pessoas dizem de si mesmas, e muitas vezes por aquilo que as outras pessoas dizem delas, sem parar um momento para refletir e julgar.” Pág. 82

COMENTÁRIOS

A escrita de Jane Austen continua primorosa como em ‘Orgulho e Preconceito’, porém, ao contrário deste, não senti a emoção que ansiava durante a leitura. O enredo é um tanto cansativo e extenso para que no fim não se tenha um objetivo claro da história senão os absurdos de uma época onde o dinheiro fala mais alto e as mulheres são colocadas sempre em escala inferior que os homens. Pode ser que isso não impressione pelo fato de hoje em dia acontecer coisas muito piores ou que prenda mais atenção do público feminino. A principal característica do romance é a análise de reações e reflexões da alma humana, como o próprio nome diz, a razão versus a sensibilidade.

Isso também pode ser explicado primeiro por ter sido o primeiro livro que a autora escreveu – antes de Orgulho e Preconceito -, e segundo pelo contexto contemporâneo do Romantismo, que perdurou por grande parte do século XIX. 

Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se tivesse que classificá-lo, diria que este livro trata-se de uma novela de cavalaria.

Assim como eu, alguns leitores não acharam que a história teve um final satisfatório. Para Elinor até que sim, foi um final lindo e surpreendente, quando todas as esperanças já tinha se esvaído, já para Marianne não soou verossímil por toda a carga emocional que ela traz durante a história. E é aí que se desenlaça o equilíbrio entre a lógica e a emoção na vida das irmãs.

DIAGRAMAÇÃO


A Edição que introduz a resenha é a da Martin Claret. Em paralelo a esta pude ler também a edição da Landmark. É notória a diferença entre elas, principalmente quanto a fluidez do texto. Alguns trechos comparei propositalmente porque, não poucas vezes, palavras optadas na tradução dificultavam a compreensão da sentença.

A Landmark traz uma versão com um texto mais claro, com palavras de fácil compreensão, além de ser bilíngue e com uma melhor estética do livro. Já a Martin Claret, em sua versão de bolso, conta com uma edição em fonte minúscula, folhas brancas e texto confuso.

Nota: Foi publicada uma nova versão dos livros de Jane Austen pela Martin Claret em 2012, com capas e diagramação reformuladas.


Minha nota
(3,5 de 5 estrelas)

FILME

Sense and Sensibility é um premiado filme anglo-americano de 1995, do gênero drama e romance, dirigido por Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain e mais recentemente As Aventuras de Pi) e com roteiro escrito pela atriz Emma Thompson.


De um modo geral o filme tem uma qualidade excelente, tanto figurino, como locações, cenários e sobretudo o roteiro, que soube ser fiel aos diálogos escritos por Jane Austen, sem perder o sentido da história com as alterações que foram feitas.

Alguns personagens pouco ou sequer aparecem como a esposa de Sir John, Lady Mileton, o próprio marido - que surge em poucas cenas -, e a irmã de Lucy. Contudo, foram caracteres que pouco tem importância no contexto da história, que facilitou o resumo de partes extensas para um enredo cinematográfico e em contrapartida estiveram bem realocadas.

As atuações das atrizes principais foram magistrais, além de todo o elenco está muito ‘afiado’. A impressão que senti ao assistir foi que todos leram a obra original e sabiam como dar vida aos seus respectivos personagens, atribuindo características singulares a cada um.


CURIOSIDADES

  • O diretor Ang Lee nunca havia lido nenhum romance de Jane Austen até ser-lhe enviado o roteiro escrito por Emma Thompson.
  • Durante as filmagens, a Jane Austen Society telefonou ao co-produtor do filme reclamando da presença de Hugh Grant no elenco, pois achavam que ele era bonito demais para encarnar o personagem Edward Ferrars.
  • O roteiro, realizado por Emma Thompson, levou quatro anos e meio para ser finalizado e o primeiro rascunho era composto de 350 páginas escritas à mão. O roteiro final foi o resultado de treze outros rascunhos de roteiro.
  • Nesse filme, Emma Thompson, Alan Rickman e Imelda Staunton atuaram juntos pela primeira vez. O trio repetiu a parceria em cena no filme Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007) como os professores Sybill Trelawney, Severo Snape e Dolores Umbridge respectivamente.
  • Kate Winslet obteve grande prestígio nesse filme, antes do estrondoso sucesso como a protagonista de Titanic (1997).

Premiações

OSCAR (1996)
Prêmio: Melhor Roteiro Adaptado
Indicações: Melhor Filme; Melhor Atriz - Emma Thompson; Melhor Atriz Coadjuvante - Kate Winslet; Melhor Fotografia; Melhor Figurino; Melhor Trilha Sonora.

GLOBO DE OURO (1996)
Prêmio: Melhor Filme – Drama; Melhor Roteiro
Indicações: Melhor Diretor - Ang Lee; Melhor Atriz - Emma Thompson; Melhor Atriz Coadjuvante - Kate Winslet; Melhor Trilha Sonora

FESTIVAL DE BERLIM (1996)
Prêmio: Urso de Ouro (é o prêmio de maior prestígio do Festival de Berlim e é um dos mais importantes e prestigiados prêmios de cinema do mundo).

BAFTA (1996)
Prêmio: Melhor filme; Melhor Atriz - Emma Thompson; Melhor Atriz Coadjuvante - Kate Winslet;


***

Fontes: Adoro Cinema | IMDB | Wikipedia 
Imagens: Tumblr

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