segunda-feira, 28 de julho de 2014

Conhecendo o Autor: Stieg Larsson


Stieg Larsson e a trilogia Millennium

Stieg Larsson morreu antes de a sua trilogia “Millennium” ter sido publicada. Tinha assinado o contrato de publicação, mas um ataque cardíaco aos 50 anos impediu-o de testemunhar o sucesso das suas palavras e dos seus heróis cheios de defeitos, Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist

Segundo John-Henri Holmberg, amigo de Stieg Larsson desde os 17 anos, além de crítico, tradutor e editor, Stieg cresceu numa comunidade pequena, com apenas um amigo da sua idade, e isso teria contribuído para a sua personalidade de solitário. Viveu com os avós até aos nove anos. Era tratado como adulto e tinha liberdade para fazer tudo o que lhe apetecia. “Começou a beber café, a ler, a escrever e a deitar-se tarde.” Aos dez anos fez uma revista, escrita e ilustrada por ele, que ofereceu aos familiares. Aos 12 anos passava noites inteiras a escrever à máquina.

Durante 20 anos trabalhou na maior agência de notícias sueca, a TT, primeiro como datilógrafo e revisor, depois como artista gráfico, a desenhar mapas e diagramas. Nunca foi o jornalista que queria ser, tendo, em 15 anos, assinado apenas 80 reportagens.

Larsson era um feminista assumido. Segundo o livro da série “Segredos”, de Dan Burstein e Arne de Keijzer, recusou-se a aceitar o progresso geral da sociedade como motivo para não denunciar as deficiências desta. Seguiu a pista de inúmeros casos de mulheres espancadas, brutalizadas, violadas, assassinadas, a quem foram sistematicamente negados os seus direitos e a proteção do Estado, mesmo na cavalheiresca Suécia.

Uma das suas modelos femininas, na qual se inspirou para criar Lisbeth Salander, foi Píppi Meialonga – personagem que dá título a série de livros infanto-juvenis da autora sueca Astrid Lindgren –, que seria uma moça independente, fisicamente forte, teimosa, inconformada, com um sentido de justiça muito particular e sem paciência para as regras de comportamento da sociedade. Therese Larsson, sua sobrinha, terá sido também fonte de inspiração para a personagem. Stieg teria dito ao seu irmão Joakim que “Lisbeth é como a Therese”, uma adolescente dura, magricela, fã de kickboxing e com vontade de tatuar um dragão nas costas.

Stieg Larsson só conseguiu ser o jornalista que sempre sonhou quando fundou a própria revista, a “Expo”. À semelhança da “Millennium”, a revista fictícia da sua trilogia, esta também se dedicava ao jornalismo de investigação e à denúncia de injustiças, de casos de corrupção e violência. Com a ajuda de uma série de jovens estagiários, conseguiu publicar vários artigos sobre a extrema-direita sueca e a ameaça que representavam num país aparentemente pacífico. Larsson tornou-se um incômodo para esta extrema-direita poderosa e chegou a receber ameaças de morte.

O autor morreu no dia 9 de Novembro de 2004 depois de subir a pé os sete andares que o levavam à redação da “Expo”. Nesse dia o elevador estava avariado e Larsson, que fumava 60 cigarros por dia, se alimentava de fast food e bebia café como quem bebe copos de água, aventurou-se pelas escadas. Quando chegou lá acima perdeu os sentidos e morreu nas mãos dos paramédicos. Tinha 50 anos. O diagnóstico foi trombose coronária e consequente ataque cardíaco.

O sueco planejava escrever mais livros, cerca de dez ao todo, mas antes de morrer deixou material suficiente para um quarto livro, entre 100 e 200 páginas escritas e vários apontamentos. 

Em 17 de Dezembro de 2013, a editora Norstedts, que detém os direitos da obra, anunciou em comunicado a contratação de David Lagercrantz (coautor da biografia de um atacante sueco) para dar prosseguimento a tarefa. O novo livro é previsto para 2015, quando o lançamento do primeiro volume da saga completa dez anos.

Segundo os editores, o autor dará prosseguimento à história com os mesmos personagens. O novo título terá inspiração nos anteriores, mas Lagercrantz poderá acrescentar um toque pessoal à obra. Resta dizer que essa notícia é lamentável, uma vez que continuar algo que outra pessoa escreveu não parece um bom presságio.



Comente com o Facebook:

2 comentários:

  1. Francielle Couto Santos28 de julho de 2014 16:40

    Clóvis, que post excelente! Senti um tom jornalístico vibrante em suas palavras, hein! Realmente uma perda insubstituível. E lastimável, eu diria. Larsson ainda tinha muita coisa pela frente... uma carreira promissora como autor e jornalista, interrompida por uma fatalidade. Mas uma coisa é certa: seu legado será inesquecível.

    Abraços.
    http://universoliterario.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Com certeza Fran. Os fãs de seus livros só poderão relembrá-lo a partir de agora através das releituras desses três livros, uma pena. Obrigado pela visita e que mais pessoas possam conhecer a vida desse autor.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...